Agora apercebo-me que a Biologia que aprendemos na escola é engraçada. Imagino os nossos códigos genéticos a encaixarem-se quase totalmente porque, afinal, não somos assim tão diferentes, distancia-nos apenas um cromossoma no último par e alguns atrevidos nucleótidos da cor do cabelo ou do tamanho do corpo. Imagino o nosso ancestral comum orgulhoso de ter dado origem a uma espécie repleta deste amor só nosso e que nos caracteriza. Imagino os nossos ciclos de vida, a caminharem por mitoses sucessivas num sentido único e com um destino comum, como duas estruturas análogas, totalmente diferentes mas a caminharem para o mesmo fim, para o mesmo objectivo vital. Imagino a selecção natural do meu coração, o meu músculo apaixonado, como se fosse o meio ambiente do meu Darwinismo original, a eliminar, um a um, todos os inadaptados ao vermelho bombeado para todo o lado, a eliminar cada sentimento inapropriado ou sem sentido, deixando-nos apenas a nós, ao nosso amor solitariamente perfeito, ao nosso sentimento simples e imenso, à nossa paixão eterna e bonita. Imagino as nossas veias cavas a trocarem mensagens escritas falando das escassas novidades de um dia longo de trabalho e, quem sabe, a combinarem uma ida ao cinema ou um passeio calmo pelo seu mundo circulatório. Imagino o alívio dos nossos corpos ao serem colocados no mesmo reino, ao serem colocados na mesma espécie e população, o brilho dos meus olhos por, com esta classificação prática, poderem ver-te diariamente e orgulharem-se da beleza que carregas. Imagino um par de glóbulos vermelhos, um meu, um teu, a percorrerem alegremente o seu eterno e complicado caminho, cansados mas determinados a continuar por estarem unidos. Depois de imaginar tudo isto esqueço a Biologia que damos na escola e sei, sei que acima daquilo que esta ciência explica estamos nós, felizes, apaixonados, juntos.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
António Vieira e o nosso moderno século XXI
António Vieira, um nome demasiado crítico para um homem de Deus, um nome demasiado atual para um longínquo século XVII, um nome odiado pelos seus conterrâneos e pelos meus, talvez por serem iguais, talvez por serem ambos o alvo preferido das palavras ora antigas ora atuais deste padre que poderia ser, hoje, chefe de um partido da oposição ou, quem sabe, um defensor reconhecido dos direitos Humanos.
Mas o que mantém esta crítica do sermão aos peixes tão atual? Talvez seja a falta de evolução na forma de pecar do Homem. Se antigamente a ganância e o egoísmo eram abundantes, hoje ainda são mais, os homens que antigamente se comiam uns aos outros, hoje fazem-no com mais requinte e etiqueta mas não deixam de o fazer. Mas a falta de imaginação humana não se fica por aqui. Todas as críticas feitas aos peixes e, portanto, aos homens desse antigo século XVII podem ser encontradas num particular grupo da nossa sociedade, quatro séculos mais tarde: a arrogância e a coragem, que pode facilmente ser confundida com estupidez, dos pequenos roncadores parece ter inspirado as ideias dos sindicalistas atuais que, sem poderes, criticam e chamam a atenção dos grandes tubarões; a dependência e o oportunismo dos pegadores do mar é a imagem de marca dos jornalistas de hoje, que fazem carreira “empoleirando-se” nos famosos que destroem e dos quais se alimentam para viver. Tal como aqueles peixes oportunistas, também os homens e jornalistas morrem quando o gigante de que se alimentam morre; a desmedida ambição dos peixes voadores, presente na maioria dos empresários e homens de negócios do século XXI que, inconsequentemente, voam pelo ar e nadam pelo oceano, desafiando os perigos dos dois elementos que, mais tarde ou mais cedo, o acabam por matar; e, por fim, a traição e o engano do polvo com que os políticos atuais sobem ao poder, ludibriando o povo eleitor com traições e mentiras pecadoras.
Portanto, um António Vieira atual só teria que copiar as críticas do seu antecessor e acrescentar a evidente falta de imaginação para pecar.
sábado, 17 de dezembro de 2011
O "ontem" existiu mesmo!
Hoje acordei e pensei se o dia de ontem tinha existido mesmo, mas a falta de movimento nos braços dormentes e a dor em todos os músculos do meu corpo e o coração repleto de alegria responderam-me que sim, o “ontem” existiu mesmo. Aquela manhã competitiva e vencedora que juntou mais dois livros à minha estante e mais uma vitória à minha curta vitrina de troféus e inaugurou um dia de vitórias para a turma do meu coração, aquele almoço saboroso e cheio de histórias e piadas seguido do passeio pelo E. Leclerc. Aquela corrida desenfreada para o campo de batalha onde o espírito de equipa, a qualidade coletiva e a técnica do “menino-prodígio” humilharam aziados, arrogantes e companhia limitada juntando mais um vitória, por 7-1, à vitrina gigante de uma 11.1 mais unida e forte que nunca. Aquele roubo monumental e consequente afastamento do torneio que nos abalou mais fisicamente do que emocionalmente pois, como disse uma alma feliz durante o jantar, “o que fica é a equipa” e isso está guardado no mais seguro dos cofres da minha alma. E depois aquele jantar maravilhoso de “comida à séria” acompanhado de gargalhadas e da nostalgia própria do Natal celebrada ao lado de quem mais gosto. Aquela sessão fotográfica com “Os Maiores” bastante bem vestidos e apetitosos para mostrar ao mundo aquilo que a nova “Tripla da Gadelha no Ar” é capaz de fazer junta, seguida da troca de prendas igualmente fotografada pela fotógrafa de topo, que encheu a sala de alegria e de flashes, que trouxe brilho, sorrisos, abraços e beijinhos ao nosso Natal, que trouxe a melhor prenda de sempre “de Maior para Maior”, que trouxe até a mim a lembrança de como é bom ser criança e receber um brinquedo novo e que é, sem dúvida, aquele que mais felicidade nos poderia trazer. Obrigado João pelo carro que vai preencher as minhas férias e vai encher a minha casa de peões e curvas apertadas a grandes velocidades, obrigado 11.1 por tudo o que me dão e pelo brilho que dão à minha vida, obrigado Daniela pela saborosa prenda extra, obrigado Maiores por… … serem Os Maiores, obrigado Marta pelas fotos, pelo bolo, por toda a alegria com que enches o meu coração, obrigado Juliana pela beleza que me enche os olhos e pelo amor que faz de mim aquilo que sou: feliz! E obrigado Natal por me dares tudo o que até agora me deste. Obrigado.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Feliz Aniversário!
Feliz aniversário. É o que as regras mandam dizer neste dia especial, mas porquê ficar por aqui? Por que não dizer tudo o que há para dizer nesta simples data? Por que não fazer deste dia o melhor dia de sempre? Afinal, tu mereces. Mereces mais que esta caixa guardadora de tesouros secretos que unem cada batimento dos nossos pequenos corações, mereces mais que esta flor com um destino traçado e uma beleza demasiado abaixo da dos teus olhos e do teu sorriso, mereces mais que estas simples palavras com que o meu amor pinta o teu aniversário, mereces mais que estes acordes básicos e esta voz desafinada que te ama. Mas dou-te tudo o que tenho e consigo dar, entrego-me com tudo o que te dou porque sou eu que estou em cada tesouro secreto que guardarás, a olhar para ti e a admirar o teu sorriso, sou eu que estou na beleza singela desta flor, a contemplar os teus olhos sinceros e fantásticos, sou eu em cada palavra que lês e sentes, a tocar os teus lábios sorrindo esperando a mesma resposta, sou eu em cada acorde e em cada nota desafinada que ouves, a ouvir os teus medos e os teus sucessos, sou eu em cada segundo da tua vida a encher-te o coração deste amor que me prende a ti e que, assim, me faz diariamente feliz. Parabéns meu amor, amo-te.
P.s: sabes o que é mais engraçado? O texto fica muito melhor e ainda mais verdadeiro se o leres com os verbos no futuro.
sábado, 19 de novembro de 2011
A Luz
Cheguei a casa e atirei a mochila para a cadeira vazia do meu quarto, mergulhei na minha cama pensativo e liguei a música como um fumador acende um cigarro, pus os auscultadores nos ouvidos como quem tira um isqueiro do bolso e liguei a música. Coldplay. Enquanto a música tocava eu folheava as páginas brancas de um livro qualquer que ainda não acabei de ler. Até que parei, o livro fechou-se e só a música não respeitou a paragem marcada na pauta que seguíamos: “Us Against The World”, arrepiei-me quando o vocalista cantou este verso que dá título à música, como se imaginasse, por dentro, aquilo que eu vivo e sinto, como se ao cantar aquele verso entrasse dentro de mim, lesse a minha história, visse o meu presente e cantasse aquilo que eu sou, cantou cada palavra como se vivesse a minha vida e te tivesse a ti, como se, de alguma forma, ele fosse eu e tu fosses dele, como se a nossa história fosse vendida em disco e ilegalmente retirada da Internet. Fiquei parado até ao fim da música e nem prestei atenção à faixa seguinte do CD, esbocei um sorriso e pensei em ti, longe destas quatro paredes que encerram comigo folhas e pergaminhos apaixonados pela luz que guia cada pedaço do meu corpo, pela luz que ilumina cada batimento do meu coração, pela luz que me faz amar cada segundo desta vida luminosa a dois e só a dois. Não me mexi e deixei o computador a gritar sons musicais para a imensidão do meu espaço. Adormeci. Desse sono quase eterno não relembro os sonhos espetaculares com cenas mirabolantes e cenários perfeitos, desse sono lembro apenas uma luz, a luz do meu adormecer e do meu acordar, a luz do meu viver e do meu dormir, a luz do meu andar e do meu pensar, a luz do meu mundo e do meu coração, a luz que és tu e somos nós, a luz que amo e amarei até que não reste nada deste cosmos iluminado eternamente em expansão e sem fim anunciado ou possível, a luz que, comigo, lutará contra um mundo, e outro, e outro até que sejamos apenas nós, eu, tu, a luz e este mundo que é nosso e só nosso…
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
"Nem todos os dias são bons dias..." 2.0
No meio de cada gesto de afeto dado ao som do uníssono bater de dois corações, ela pede-lhe que ele a ame para sempre, sempre. E ele, ingénua e verdadeiramente apaixonado, promete mais do que aquilo que pode dar, promete uma eternidade perfeita e uma perfeição eterna, promete ser o que ela quiser quando ela precisar, promete promete promete… E depois de a fazer sorrir ele pede-lhe que ela nunca o abandone, nunca. E ela, ingénua e verdadeiramente apaixonada, promete tudo o que mundo tem e imagina ter, promete ser tudo o que ele precisar quando ele quiser, promete promete promete… Promessas irreais que fazem dele o super-homem que ela idealizou, o príncipe encantado que lhe enche os sonhos, e que fazem dela a mulher-maravilha das BD’s interiores dele, a rainha do seu vasto e palpitante reino. Mas, no fundo, Eles sabem que a morte nunca perde e que ela leva sempre a melhor sobre o amor, Eles sabem que nem o grande Shakespeare conseguiu fazer o amor vencer a morte, eles sabem que, um dia, aquele mar de rosas colorido vai acabar, eles sabem que, um dia, nesse dia, o mundo perderá o amor de que se orgulha e a felicidade com que se glorifica, eles sabem que que, um dia, nesse dia, num lugar qualquer, as suas almas chorarão em simultâneo um fim nunca premeditado ou discutido, eles sabem mas não pensam. “Sabes que te amo?” pergunta ele com o mesmo sorriso de quem simplesmente pergunta as horas esperando estar ainda longe do fim do intervalo. “Sei. E também te amo!” é a resposta ensaiada por um coração que sabe tudo e não pensa em nada, e sorriem, oferecem um ao outro um sorriso forçado pela inocência de ser feliz, um sorriso sincero e belo como o amor que partilham. “Tens medo do fim?”, a preocupação notória na sua voz fê-la ter medo, fê-la perguntar: “que fim?”. A resposta envergonhada saiu-lhe da voz seguida de um silêncio perturbador e interminável: “o nosso fim.”. O mundo podia ter gritado nesse momento, tinha motivo, tinha força, tinha vontade mas nenhum dos dois ouviria esse esgar sonoro de dor, estavam perdidos numa corrente avassaladoramente rápida de pensamentos, de imagens, de momentos e de histórias. “Tenho, tenho muito medo”. Outro silêncio abismal foi quebrado por um abraço que disse tudo o que queriam dizer um ao outro: “amo-te”, “amo-te”.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
"Nem todos os dias são bons dias..."
No meio de cada gesto de afeto dado ao som do uníssono bater de dois corações, ela pede-lhe que ele a ame para sempre, sempre. E ele, ingénua e verdadeiramente apaixonado, promete mais do que aquilo que pode dar, promete uma eternidade perfeita e uma perfeição eterna, promete ser o que ela quiser quando ela precisar, promete promete promete… E depois de a fazer sorrir ele pede-lhe que ela nunca o abandone, nunca. E ela, ingénua e verdadeiramente apaixonada, promete tudo o que mundo tem e imagina ter, promete ser tudo o que ele precisar quando ele quiser, promete promete promete… Promessas irreais que fazem dele o super-homem que ela idealizou, o príncipe encantado que lhe enche os sonhos, e que fazem dela a mulher-maravilha das BD’s interiores dele, a rainha do seu vasto e palpitante reino. Mas, no fundo, Eles sabem que a morte nunca perde e que ela leva sempre a melhor sobre o amor, Eles sabem que nem o grande Shakespeare conseguiu fazer o amor vencer a morte, mas prometem, prometem sorrisos que embelezarão toda uma vida, prometem uma felicidade estonteantemente imortal, prometem ser eternos até ao fim e, na verdade, são eternamente felizes por serem aquilo que sempre serão, apaixonados.
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