sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Houve um dia em que o Benfica ganhou



Houve um dia em que o Benfica ganhou mas tu não estavas feliz, estavas empenhada e mergulhada nos papéis dos estudos e não estavas feliz nem animada com esta vitória. Estavas distante, fria e longe de mim, de nós e da felicidade que nós somos. E eu, apesar da vitória, não estava feliz, os teus olhos não eram vermelhos, os teus lábios, apesar do vermelho, não se espantavam com a águia e o teu cabelo não vibrava com os golos do Jonas (tu sabes, o Jonas Pistolas), ali a animação não contava porque tu não sorrias e mesmo depois dos estudos continuavas preocupada, quase triste. Esqueci o Benfica, só tu importavas, tu e o teu sorriso que teimava em não aparecer. Fiz tudo o que sabia, até o malabarismo que tenho treinado, e consegui arrancar-te um pouco de animação e aos poucos foste ficando feliz, quente e perto de mim, de nós, onde deves estar. Vimos um filme, jogamos um jogo e rimos, tu riste e essa foi a vitória mais animada do dia, a vitória contra a tua tristeza. A felicidade chegou com tudo aquilo que tu me sabes oferecer com a simplicidade dos teus olhos e a inocência fofinha do teu discurso. Tu fazes-me feliz por sorrires, por dizeres as coisas palermas que dizes nos jogos de palavras que propões fazermos e por me chamares “ainda mais palerma” por estar extasiado com a beleza do teu corpo.
- Quanto ficou o Benfica?
- Ganhou, 3-1. Porquê?
- Ainda bem, eu sei que ficas feliz quando ele ganha.
Não nesse dia, nesse dia estava feliz pelas tuas gargalhadas a ver o filme, estava feliz pelo teu sorriso lindo quando te pisquei o olho, estava feliz por te fazer feliz, nesse dia estava feliz simplesmente por estar contigo.
Houve um dia em que o Benfica ganhou mas tu foste, como sempre és, a felicidade e o motivo da minha vida, tu foste, como sempre és, o mais importante, mais importante do que o Benfica e do que todos os golos, e sei que se mais ninguém perceber a dimensão deste amor que partilhamos tu percebes, eu sei que tu percebes e isso é tudo o que importa.

sábado, 19 de setembro de 2015

Um presente para ti, mãe



Escrevo estas linhas como um presente para ti, mãe. Não por ser o teu aniversário porque ainda não lá chegamos, nem por ser natal que ainda está longe. Escrevo para celebrar mais um dia a pensar em ti, como todos os dias, presenteio-te com este texto por motivo nenhum e esse é o melhor motivo que se pode ter, como me ensinaste quando trazias uma bola de Berlim que sabias ser a minha favorita só para veres o brilho nos meus olhos enquanto comia. Muitos foram os presentes que me deste fora dessas ocasiões especiais que as pessoas apregoam. Lembro-me dos livros que te pedia da biblioteca e, mesmo sem tempo por causa do trabalho, arranjavas forma de os trazer porque eu adorava ler, lembro-me dos brinquedos que, sem aviso nem pedido, trazias para eu juntar à minha vasta e divertida coleção, lembro-me dos jantares em que, mesmo cansada de uma semana dura, fazias o bacalhau à Brás que eu adorava ou a carne estufada com batatas e arroz que nunca me cansava de comer, lembro-me das brincadeiras e dos carinhos que marcavam o serão da nossa casa e eram o melhor presente que eu podia receber. E hoje, com estas palavras, tento compensar aquilo que não fiz enquanto podia: presentear-te pela mãe que eras, pelos presentes que me davas, pelo esforço e dedicação que punhas em cada detalhe que preenchia a minha vida, pela infância magnífica que me deste, por tudo aquilo que eras e que um dia também ambiciono ser. Agora, depois de teres partido, não posso presentear-te pelo que eras mas uso estas palavras para te presentear pela marca que deixaste, pela saudade que fazes ter, pelos ensinamentos que nos deste a mim e à Tocas (é o que eu chamo à Rita quando estamos simpáticos um com o outro, que agora é mais vezes, como tu sempre pedias!), presenteio-te pela força que, mesmo não estando aqui, me dás para encarar o futuro com o sorriso que me ensinaste a ter. Espero que, estejas onde estiveres, este presente chegue até ti e sintas o amor e o orgulho que, antes agora e sempre, sinto em ser teu filho.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Uma carta perdida...



Juliana,
É difícil estar longe de ti. Tens uma espécie de íman apaixonado e o meu coração é puxado para onde estás levando os meus pensamentos, a minha vontade, a minha escrita. O teu sorriso aspira a minha felicidade e concentra-a na timidez do teu riso em público e nos risos descontrolados em recorrentes ataques de cócegas. Mas aqui, sozinho com este caderno com demasiados riscos, não te tenho, não tenho o calor do teu abraço, não tenho o sabor dos teus lábios e tudo fica mais triste, tudo fica mais apagado. A luz que ilumina as palavras que agora escrevo é tímida e infeliz por, tal como eu, não te ter a guiar o caminho e a aquecer o ambiente como o chocolate quente que tanto gostas de preparar para nós.
Saudades. Foi por isso que comecei a escrever esta carta, para te enviar com ela um pouco da necessidade de te ver, de te tocar e de te sentir, enviar-te o amor que me preenche e me corrói por estares longe, enviar-te em cada letra deste texto um desejo enorme de estar ao pé de ti e trocar sorrisos marotos contigo enquanto vemos na televisão um programa repetido.
É frustrante ter que passar tanto tempo sem as corridas no parque da cidade, sem a cantoria em animadas viagens de carro, sem o sorriso incondicionalmente gigante. É revoltante estar longe dos teus mimos e da tua felicidade quando me abraças com a força do mundo que somos um para o outro. É aborrecido não ter serões de séries com pipocas que carinhosamente insistes em preparar e não ter aquelas horinhas de sono contigo que valem por uma noite inteira. Mas aquilo de que mais preciso, mais do que de todos os pequenos pormenores tão especiais e tão nossos, és tu, a tua presença, o teu amor, o teu cheiro, o toque e a tua felicidade que é a minha. Preciso do teu acordar sonolento, preciso da tua energia às duas da manhã e da tua cantoria que anima qualquer dia triste.
Princesa, despeço-me desta carta com um pedido maior do que tudo neste universo: sorri, sê feliz ao leres estas palavras que apaixonadamente te escrevo, pensa em mim com um sorriso nos lábios porque assim, mesmo estando tão longe, serei contagiado por essas feliz felicidade. Amo-te e amarei sempre!

Um beijo especial,
Rui