segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Tudo num encontro...

   A água quente do chuveiro limpava a pele seca de um pobre corpo iluminado pela fraca luz de uma casa de banho, e esse corpo, o meu corpo, vestiu-se depois de limpo, e vestiu a sua melhor roupa, calçou o seu melhor calçado, usou o seu melhor penteado e o seu melhor perfume, porque ia visitar ou ser visitado pela melhor pessoa, pelo melhor ser, pela melhor mente, pela melhor alma, pelo melhor coração. E chegou, vinda do nada, chegou de onde não se vê o coração do meu corpo, de onde apenas se sente, e vinda desse outro mundo perfeito, abraçou-me e sussurrou-me “gosto muito de ti”, e o meu ouvido chorou com a alegria do momento, o meu corpo, o meu pobre e anteriormente velho corpo quis saltar e explodir no ar libertando toda a energia transmitida pelo sussurro dela, pelo abraço dela, pelo amor dela. E como se não chegasse, como se eu não tivesse já amor bastante para uma vida eterna, como se eu tivesse uma eterna fome e uma eterna necessidade de ser amado, como se precisasse eternamente dela para manter este sorriso esporádico, ela disse entre dois sorrisos, sentiu entre dois abraços: “és eterno, como este amor que te dou e nos unirá sempre”, e nesse momento de compreensão ardente e de amor simples, abracei-a entre dois rios de lágrimas com peixes felizes, senti-a entre dois amores amados, e contendo tamanha felicidade numa frase, consegui dizer: “amor, o meu amor por ti é como a Terra, não se escolhe, não se fala, só se ama, só se precisa, só se sente”. E foi tudo aqui, ali, lá, cá, fora, dentro, longe, perto, foi agora, logo, antes, depois, no momento, na hora, no mês, no ano, na vida seguinte, foi tudo sentido com a intensidade de um furacão, com a simplicidade de uma gota de água, com a beleza de uma flor, com o sentimento de uma música, com a eternidade de um deus, com um amor só nosso, só meu, só dela, só nosso. E amei-a aqui, ali, lá, cá, fora, dentro, longe, perto, amei-a agora, logo, antes, depois, no momento, na hora, no mês, no ano, na vida seguinte, amei-a em todo o lado em qualquer momento, porque temos a intensidade, a simplicidade, a beleza, o sentimento, a eternidade e o amor guardados no melhor coração, guardados num pobre corpo…

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Sem ver o que sou, sem ouvir aquilo que digo, sem viver aquilo que penso, sem sentir aquilo que me és, sem sentir o meu coração


   Sem ver o que sou, sem ouvir aquilo que digo, sem viver aquilo que penso, sem sentir aquilo que me és, sem sentir o meu coração. Era assim que a nostalgia do meu quarto me deixava, era assim que a música fuzilava alegremente os meus ouvidos, era assim que o cenário que impus me mantinha durante todas as simples e inesquecíveis noites sem dor, noites em que eras minha por momentos, por horas, por séculos, era assim que eu era, ora contigo, ora sem ti, e logo depois contigo de novo, era neste desconcertado estado que o teu amor fingido me deixava nessas noites sem sono e sem ti, contigo e sem sono, era assim que eu era em todos os sonhos que vivi e idealizei, que vi e criei, que te dei e senti. E foi nesses sonhos, nessas noites sem sono e sem dor, nesse cenário, nessa música, nesse quarto, que eu descobria que te tinha, que eras verdadeiramente minha, que a tua beleza era o brilho dos meus olhos, que o teu sorriso era o bater do meu coração, que os teus eternamente simples olhos eram a força do meu viver, descobri que o teu amor era eu, que eu era o teu amor, que me tinha dentro de ti, dentro de mim, descobri que todo eu era teu, que o meu fiel amigo cérebro era a frieza do teu corpo, que a minha desconhecida alma era gémea da tua, mas que eram mais que irmãs, descobri que o meu traiçoeiro coração era mais que teu, era de ti, para ti e apenas teu, descobri que eras a máquina perfeita que dentro de mim não podia parar, descobri que tu eras eu, e que eu era tu, que estavas dentro de ti, que eu existia dentro de ti, e tudo isto pareceu morrer naquela quinta-feira de manhã, em que saí do jardim perfeito, em que deixei de te ter em mim, em que morri e receei não te ter mais, em que tudo o que vivi e idealizei, que vi e criei, que te dei e senti desapareceu, e só a minha memória e o teu coração relembravam, naquela quinta-feira de manhã em que a minha morte foi contada pela tua voz a dizer “bom dia” e por um beijo matinal que nos fez novamente um, que me fez novamente adormecer...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Oficina de escrita...

   O termo “trabalho” pode ser avaliado e comentado de vários pontos de vista: o matemático, em que “trabalho = dinheiro” e portanto “2trabalho=2dinheiro”, que serve de esperança a todo o pobre proletariado que trabalha incansavelmente; o físico, em que “mais rapidez = melhor rendimento = mais dinheiro” que seria (ou é) a praia de qualquer atleta olímpico e de todos os corredores de motorizados; e por fim, o ponto de vista que está cientificamente provado graças a contas bancárias infinitas e dias eternos de fome, segundo o qual “trabalho = cansaço” e “trabalho = -dinheiro” o que traduzido por miúdos mostra que na realidade quanto mais trabalhador, mais pobre e cansado, e que quanto menos esforçado, mais rico. Aqui se vê, constata e sente o puro e cruel desconcerto do mundo.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Rabiscos filosóficos...


   Um anjo sem asas apareceu naquele simples quarto e desligou o despertador incansável e deixou a morte para depois, deixou a dor e os lamentos para outra hora. E esse anjo saiu, voou para longe daquele simples quarto agora abandonado pela luz e pelo som, voou para onde a morte não chega negra e má, e deixou o simples quarto arrumado e escuro, ainda com vida, com aquela vida especial.
   Entretanto a morte chegou ao simples quarto e ocupou o lugar vazia da luz e o espaço deixado pela ausência do som, a morte que fez o anjo voar, a morte que tirou a vida do arrumado e escuro quarto, a morte que pegou na vida, naquela vida especial, e a consumiu, a devorou, a tornou em morte.
   E hoje, o velho anjo que não voa, volta ao quarto da morte, constata a presença do seu eterno inimigo no lugar da luz, no espaço do som, e já sem forças e sem coragem, entrega-se à morte para reaver a luz e o som daquele quarto, entrega-se ao inimigo para esquecer para sempre a eterna guerra sem fogo que travou.
   E hoje a morte iluminou-se, sofreu o milagre normal da luz, as suas trevas clarearam e tornaram-se brancas e com vida, toda a morte morreu e originou vida, a vida de um anjo pobre de coragem, hoje, a morte transformou-se em vida…

“Há coisas que só um anjo pode mudar” Rui Mesquita”
“Mais que energia, produz vida” EDP

domingo, 9 de janeiro de 2011

Meu anjo!!!

  
   Cinco dias mostraram-me que é possível amar-se um sorriso, cinco dias, mostraram-me que era possível amar alguém por um sorriso, porque te amei desde o primeiro dia, desde o primeiro sorriso, desde a primeira foto, desde o primeiro “adeus”… E amar-te não é só pensar em ti como eu penso, não é só ter-te eternamente comigo dentro de mim, não é só escrever sobre um amor sincero e nosso, amar-te é sentir-te num eterno pensamento, é sentir-te dentro de mim, é sentir-te em cada palavra que apaixonadamente escrevo…
   Uma vida mostrou-me que é possível amar, uma vida mostrou-me que amar-te é ter o teu sorriso para sempre guardado no canto especial do meu simples coração… E aquele primeiro dia, aquele primeiro sorriso, aquela primeira foto, aquele primeiro “adeus” serão sempre memórias inapagáveis da minha memória, e o amor que nos une, o nosso amor, nunca sairá de onde pertence, do meu coração, do nosso coração…
   Não quero comparar-nos a palavras de uma nobre língua como a nossa, mas se o fizesse eu seria “amor”, porque eu sou todo amor, sou todo o nosso amor, e tu pelos mesmo motivos, serias “perfeita”… AMO-TE Joana...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

* Com ela eu vejo o mundo, ouço a saudade, cheiro a dor, toco na distância, com ela eu sinto o amor

   A noite está agradavelmente amena, não há barulhos no escuro do céu, o mesmo escuro do céu que me permite ver claramente a luz do seu coração, que me permite ouvir a presença silenciosa da sua bondade, que me permite cheirar o castanho dos seus longos e belos cabelos, que me permite tocar o verde profundo e tranquilo dos seus olhos, o mesmo escuro do céu que me permite sentir o tamanho e a forma do seu sonho. E por sentir esse sonho, deito-me e transformo-me num sonhador, num sonhador que faz mais que sonhar, que vê, que ouve, que cheira, que toca, um sonhador que sente, e até num qualquer sonho, o seu coração abre-me os olhos, a sua bondade enche-me os ouvidos, os seus cabelos premeiam o meu nariz, os seus olhos deliciam o meu toque, até num sonho, qualquer tamanho so seu sonho é amado pelo meu coração. E no mundo do escuro céu, o seu coração é a grandiosidade do mundo, a sua bondade é recordada com a saudade de uma vida, os seus cabelos tranportam a dor de não a ter, os seus olhos sofrem a distância dos nossos corpos, o seu sonho é amor, é o meu amor. E assim * . E assim eu sou completo, assim eu sou unicamente feliz.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Notas de bolso...

   O Sol brilhava no seu e portanto teu céu, e enchia-o de brilho e cor, e mais tarde, também a lua mostou-se bela no seu enganador quarto crescente, também o calor era abundantemente fresco e seguro, e eu estava feliz, feliz por ter o calor, por ter a lua, por ter o céu e o sol, por ter essa bonita tarde de Agosto onde tudo era fácil e simples, onde eu te tinha...
 
   Mas hoje tudo está diferente, tudo está apaixonadamente mudado, o Sol que brilhava no seu e portanto teu céu, desapareceu no longo Universo invernal, o teu céu escureceu e ficou negro, a lua deixou de se mostrar na mentira minguante para ser humanamente cega e fisicamente nova, o calor entrou em mim e deixou o mundo dos homens para se mostrar e ser mostrado apenas no nosso mundo de amizade e carinho, a bonita tarde de Agosto ficou no velho e eterno livro das boas memóris, a facilidade daquele momento perdeu-se com a magia e beleza do mesmo, e tornou-se chuva e vento de Inverno. E hoje eu contiuo feliz, mesmo sem o calor, sem a lua, sem o céu e o Sol, sem essa bonita tarde de Agosto, mesmo sem tudo isso eu continuo feliz porque te tenho, porque continuo a ter-te...