Era
uma vez um rei… Não não não não não.
Sim, era uma vez um rei! Deixa-me
adivinhar: vivia num castelo, com uma rainha, num reino encantado. Sim.
Não é uma boa história? Oh, histórias
de fantasias, que terminam com um gasto “e viveram felizes para sempre”, já não
são boas histórias. Mas esta é diferente, a sério. Não acaba com um final feliz? Não! Ouve: era uma vez um rei
que vivia num castelo, com uma rainha bonita, num reino encantado. O rei era
feliz, não tinha súbditos nem criados, não tinha jóias nem vestes exuberantes,
mas era feliz por ter, no seu reino, ao seu lado, a rainha mais bonita do
mundo. Na coroa de papel, os olhos do rei brilhavam quando a sua rainha cuidava
dos principezinhos como quem cuida de uma rosa branca, pura, verdadeira e apaixonante.
Agora vem um contratempo a esse amor
incondicional, não é? O que se passou com o rei? Uma viagem. O rei
apaixonado foi viajar por reinos longínquos e por sítios distantes. Os corações
dos reis daquele pacato reino estavam longe, separados por montanhas, mares,
desertos e enormes cubos de gelo, estavam impossibilitados de se tocarem e
criarem sorrisos falantes que preenchem o silêncio com a magia daquele amor(-)perfeito
nascido num pequeno jardim. Mas em cada noite desse tempo, e mesmo nas noites encobertas
por nuvens de saudades, esses corações, marcados por tardes deliciosas de sol
primaveril, olhavam a mesma estrela e faziam, a cada segundo, mil e uma
promessas sinceras daquele amor carregado de memórias. Nesse momento, quando o
brilho dos quatro olhos emocionados se uniam no brilho próprio da estrela
eterna, os reis sabiam que o mundo não era suficientemente grande para separar
aquele amor real e perfeito. Mas e
depois? O que aconteceu com o rei e a rainha? O rei voltou, com um
sorriso estrelar, e o abraço do reencontro foi mais belo e amoroso que os
reencontros dos filmes, por ser sincero, sentido e desejado. E hoje, hoje
mesmo, na mesa do pequeno-almoço, entre torradas e chávenas de café com leite,
o rei repetiu aquilo que, em cada noite, debaixo das estrelas, segredou à sua
amada rainha: o mais sincero “amo-te” que jamais foi sentido. Mas isso é um final feliz, tu disseste
que não acabava com um desses… E não acaba! É feliz sim, mas não é, de
todo, um final.
domingo, 18 de novembro de 2012
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Já sei quando me apaixonei por ti.
Já
sei quando me apaixonei por ti. Foi naquele dia em que, pela manhã, sorrimos
simultaneamente e sem sentido a um “bom dia” resistente ao frio que atormentava
cachecóis e luvas mas deixando, irremediavelmente, os nossos corações embebidos
no aconchegante mundo da paixão. Foi nesse dia que me apaixonei pelo brilho dos
teus olhos, pelo castanho brilhante dos teus olhos.
Um
dia seremos mais felizes que hoje. Sim, um dia mataremos com aqueles abraços só
nossos a distância que, hoje, teima em brincar com este divertido amor
brincalhão. Um dia, nesse dia, poderei sentir a tua respiração calma no meu
acelerado e amoroso coração e escrever-te com o virtuosismo que uma alma
apaixonada tem em si.
Leio-te
em mim, como se estivesses verdadeiramente dentro de mim. Ao fechar os olhos
leio cada pequeno detalhe teu, cada curva sublime das tuas mãos quentes, cada
ínfimo pormenor dos teus ombros deliciosamente perfeitos, cada apaixonante sílaba
dos teus lábios presentes em cada pensamento da minha mente. Leio-te com aquele
tremor interior de quem sente sem pensar cada letra quente e marcante que lê.
Imaginando-me
sem o grito constante do meu corpo por ti, o mundo sem sentido perde a cor e
aquela beleza de quando deixas os teus braços à volta do meu pescoço e me olhas
nos olhos, dizendo que tudo o resto, ainda que colorido, não interessa para o
nosso mundo que é nosso por sermos nós, de mão dada, a construir-lo.
Amanhã
será o dia mais feliz da minha vida. Será o meu próximo dia contigo, o dia em
que, com sono, terei um sorriso a receber-me com vocativos apaixonados e
preocupações com as minhas costas frágeis. Amanhã será o próximo dia em que
poderei sentir o teu perfume a proteger-me num abraço mais demorado que a
perfeição e, por isso, será o dia mais feliz da minha vida.
Não,
hoje não vou dormir tarde. Hoje despedir-me-ei lentamente de ti e irei ceder
aos encantos da minha almofada e sonhar, sonhar contigo e com aquilo que hoje
dissemos e sentimos entre aqueles sorrisos ainda envergonhados por fazerem a mesma
pergunta ao mesmo tempo. Sonharei com o teu nariz frio e com aquele beijo
saboroso no meu pescoço arrepiado. Hoje não vou dormir tarde para sonhar
contigo, para te ter, para te sentir e te amar ainda mais do que o infinito.
Amo-te!
Em cada segundo, com cada glóbulo vermelho do meu corpo, em qualquer lugar
deste mundo ilimitado, amo-te daquela forma que nunca nenhum poeta descreveu,
que nunca nenhum músico cantou, que nunca ninguém sentiu, daquela forma única
que nos torna especiais e nos deixa tranquilamente abraçados, juntos. Amo-te!
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Houve um dia em que o Benfica perdeu.
Houve um dia em que o Benfica perdeu, sem
polémicas nem erros de arbitragem, simplesmente perdeu. Nessa noite fria de
domingo fiquei chateado e não me apetecia pensar em mais nada a não ser naquela
bola na trave que, pelo menos, empataria o jogo. “Amor, de que cor pinto as
unhas?”, a simplicidade da pergunta fez-me sorrir como quando tinha 17 anos e
lhe mandava sms’s apaixonadas a desejar boa noite. “Não sei, talvez verde...”,
respondi como se quisesse que aqueles 90 minutos de sofrimento não tivessem existido
e voltar àquele dia em que lhe pedi um abraço só para ver o seu sorriso sincero
e belo ao dizer “claro que dou”. “Verde será!”, apercebi-me, espantosamente,
que continuo a sentir o mesmo cada vez que ouço a voz dela, desde o primeiro
“bom dia” numa manhã primaveril até hoje, que sinto aquela falta de ar e
borboletas no estômago de quem está genuinamente apaixonado e sente cada síliba
como um beijo inesperado e inspirador. “Hoje não quero ver a novela.”, foi aí
que acordei para o castanho reconfortante dos seus olhos bonitos e esqueci, por
momentos, o futebol. “Hoje quero conversar, como nos bons velhos tempos.”, como
naquelas vezes em que deixávamos para trás a hora apropriada para ir dormir e
ficávamos a teclar olhares cúmplices e sonhadores e a sorrir para um ecrã
inanimado. “Tu estás triste e eu quero conversar.”, não pude deixar de abrir um
sorriso àquela preocupação espelhada num par de olhos muito abertos e
ternurentos, não pude deixar de encostar a sua cara quente no meu peito enquanto,
naquele silêncio aconchegante nessa noite fria de domingo, a minha alma era
feliz com aquela desconcertante bola na trave.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Era uma vez um Natal...
Os miúdos correm pela
casa como se quisessem combater o frio que embeleza o exterior das janelas
embaciadas pelo cheiro natalício das rabanadas ou do bacalhau já pronto a ser
servido entre gargalhadas e aqueles presentes que durante um ano inteiro todos
sonharam ter. Depois de uma fatia pão-de-ló com queijo vi nos teus olhos aquele
brilho que me apaixonou num dia quente de primavera e, já nessa longínqua e
acolhedora estação, me fez saber que a mulher da minha vida tinha cabelos
castanhos e orelhas fantasticamente bonitas, fez-me sentir orgulhoso de ser o
príncipe mais feliz de todos os principados neste dezembro friorento. A lareira
crepitava calmamente como o teu sorriso quando elogiei o jantar e amarrei o
nosso menino mais novo para lhe fazer a pergunta mais simples do planeta: “a
mãe é bonita não é?”, deixei-o continuar a correr depois de, muito sério,
abanar freneticamente a cabeça com um sim sincero e fofo que também a mim me
fez sorrir.
No momento alto da
noite, naquele momento em que o vermelho do Pai Natal traz a felicidade ao
mundo das crianças e à vida dos adultos, quando os nossos filhos soltaram um
“uau” em coro e se gabaram entre si daquilo que receberam, os teus olhos
embateram no castanho dos meus com um orgulho embebecido de quem tem um mundo
inteiro a abrir presentes e a sorrir com o frio aconchegante de mais um Natal
perfeito.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Medo de extraterrestres
Tenho
medo, naqueles momentos em que sorris descontraidamente por qualquer tolice
minha e me afagas o cabelo e me chamas “meu tontinho” tenho medo que um
meteorito caia naquele cenário apaixonadamente perfeito, medo que extraterrestres
ou economistas acabem com o nosso planeta necessário a um amor consumado na
terra que a Terra tem, medo de perder um segundo desse sorriso iluminado por
holofotes atenciosos e sedutores. E até naqueles momentos protetores e melancólicos
em que te tenho nos braços e parece que tudo ao nosso redor resume-se àquele
beijo demorado e saboroso, até aí eu tenho medo de ataques interplanetários e
do fim do mundo anunciado, até aí tenho medo de adormecer sem o cheiro do teu
perfume no meu corpo e perder uma vida inteira daquele friozinho na barriga de
quem ama eternamente a cada batimento de um coração pequeno para tanta fome.
Sim, também quando me olhas nos olhos e dizes que me amas tenho medo, aliás, é
aí que este medo irracional domina a minha alma viciada no teu olhar sincero e
nos teus elogios hiperbólicos e choro por dentro ao saber que um pequeno
monstro verde pode tirar-nos o chão destas declarações eternamente verdadeiras sobre
um amor insaciavelmente feliz. Perder, é esse o verbo que me faz agarrar o teu
corpo como se o amanhã não existisse. Tenho medo de perder a subtileza dos
nossos momentos, de perder aquele toque dos teus dedos no meus braços
arrepiados, tenho medo de te perder e que esses seres que a ciência não conhece
levem contigo este amor que me faz feliz em cada centímetro de um planeta (por
enquanto) só nosso.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Um dia...
Um
dia ele saiu de casa como se de um dia normal se tratasse, sem preocupações ou
problemas por resolver. O seu caminho não mudou e até os habituais sorrisos
matinais foram sentidos e alegres como sempre são. Mas aquele “bom dia” a que
nunca ligara afetou-o de maneira diferente e inesperada, fez com que ele
olhasse à sua volta como quem nasce e respira pela primeira vez o ar puro de
uma floresta, fez com que ele reparasse naquela cara ensonada inundada por um
perfume de avelã lisa e com diamantes de amêndoas a olhar o horizonte fresco. Surpreendeu-se,
apesar de reconhecer a bonita silhueta feminina de todos aqueles chatos dias de
bocejos silenciosos à espera da hora exata para começar o trabalho, havia ali
algo novo, um dado diferente para os seus olhos, uma alma sem igual que aquele
músculo no seu peito desejou conhecer. Mas não, não foi com a alma incomparável
que ele se apaixonou por aquela menina cor de noz, foi com a subtileza dos
gestos femininos, suaves e sensuais, foi com aquela blusa de um branco humildemente
apertado e com aquelas calças em tons azulados a realçarem a simplicidade de um
piscar de olhos esporádico que lhe encheram o coração de batimentos acelerados
e estômago de borboletas teimosas e famintas.
Um
dia, um belo dia depois de todas as complexas brincadeiras, a guerra acabou, a
sua guerra por ela contra tudo o que teimava em obstruir aquele sentimento puro
e indestrutível acabou. Acabou como acabam todas as guerras, de repente, sem
explicação ou aviso prévio, com um “sim” momentâneo mas decisivo. Foi aí, nesse
dia, nesse “sim” dado com certezas e sorrisos que ele entendeu que era aquela
tímida figura sorridente que o separava daquilo que mais temia, a dor.
Um
dia, um outro dia, na prosperidade de um reino independente, não houve guerra,
a destruição não surgiu com balas ou explosões, foi no silêncio daquele “adeus”
que, sem ferro nem fogo, o mundo caiu num desespero penoso e numa dor
incontrolável, foi na velocidade daquele “acabou, desculpa” que todas as
certezas, todos os sonhos, todas as realidades que ele amor que o agarrava àquela
princesa guerreira que deixou aquele mundo de pantanas sem uma explicação, sem
uma palavra extra que lhe mostrasse que aquilo valeu a pena.
Foi
nesse dia, no “dia do adeus” que ela partiu, deixou aquele monarca sem reino
repleto de recordações e cidades por reconstruir, não levou o ouro outrora
brilhante daquela mente outrora feliz, não levou a prata daquela alma
escurecida com aquele dia em que até Sol dava um sabor amargo ao café e aos
biscoitos do lanche, só levou um pequeno e modesto coração que existia por
aqueles momentos de felicidade que recordava em cada forte e silencioso
batimento. Nesse dia de Sol amargo, o seu coração partiu com uma guerreira
apaixonante para um mundo desconhecido.
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