“Bom dia”. Tudo começou com um “bom dia”. Tudo começou como tem de começar, “bom dia”. E a resposta foi um pálido sorriso que encheu o corredor vazio com as palavras mudas que ficaram por dizer no meio de um diálogo que ficou por começar. E a trémula luz entre os dois olhares não diminuiu a magia de uma ponte de amor entre os dois corações que, secretamente pensavam em conjunto, sorriam em simultâneo, ouviam a mesma música, sentiam o mesmo sentimento que corria invisível por cada gesto nas duas vidas secreta e eternamente ligadas. E ao fim daquela melancólica manhã de puro e apaixonante silêncio há uma vontade enorme de quebrar todas as regras e ultrapassar todos os limites e ser feliz, há um instinto impresso em cada músculo e em cada veia que pede para cometer a loucura de sorrir com sinceridade, há a coragem momentânea para cometer a loucura de amar aquele “bom dia” que nos confunde o coração e aquece a alma, há… …
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“Adeus”. Tudo terminou com um “adeus”. Tudo acabou como tem de acabar, “adeus”. A lágrima sofrida de uma resposta seca e dolorosa ficou contida no olho que era espelho de uma dor mútua e comum às quatro pernas que se afastavam como um ponteiro se afasta daquela hora imortal e segue para um futuro ritmado passando repetidamente por quartos velhos e carregados de choro, inundados com cinco letras de amor que o destino decidiu destruir, inundados com rios salgados nascidos nas montanhas redondas de duas vidas separadas para uma eternidade que o abismo não suporta e que a morte não deseja. E depois de tantas noites de lágrimas sinceras, há um retorno impossível que a alma quer, há “desculpa-me” suplicante que ficará suspenso no sofrimento da solidão, há um abraço de esperança queimado com as cinzas de uma paixão morta com o lume de um amor extinto, há… …
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Misturados com a luz de uma felicidade enraizada nos rostos sorridentes surgiam milagrosos abraços quentes como uma tarde de agosto escaldadas pela força de um amor que existia em cada poro de um corpo agarrado a outro num momento para além da loucura, do prazer, num momento de carinho e ternura. Perdidas num olhar selvagem de coragem e força criavam promessas de uma eternidade em que acreditavam com a mesma alma e o mesmo coração que os fazia fechar os olhos em cada beijo e acreditar que o mundo não importava e que tinham tudo o que precisavam para voar para sempre num amor puro e perfeito partilhado nas migalhas de um pequeno-almoço apressado, relembrado em cada tarefa rotineira de um dia preenchido até aos ossos, vivido num jantar quente e saboroso como a música da uma dança de quatro pés, sentido num “amo-te” sussurrado ao lado de um “boa noite”. E nesse dia de amor há paixão de uma saudade já querida, há brilho nos pequenos olhos felizes, não há data de um fim que todos sabem que nunca chegará por serem eternos naquilo a que se orgulham de chamar amor.