sexta-feira, 24 de abril de 2015

Uma carta perdida...



Juliana,
É difícil estar longe de ti. Tens uma espécie de íman apaixonado e o meu coração é puxado para onde estás levando os meus pensamentos, a minha vontade, a minha escrita. O teu sorriso aspira a minha felicidade e concentra-a na timidez do teu riso em público e nos risos descontrolados em recorrentes ataques de cócegas. Mas aqui, sozinho com este caderno com demasiados riscos, não te tenho, não tenho o calor do teu abraço, não tenho o sabor dos teus lábios e tudo fica mais triste, tudo fica mais apagado. A luz que ilumina as palavras que agora escrevo é tímida e infeliz por, tal como eu, não te ter a guiar o caminho e a aquecer o ambiente como o chocolate quente que tanto gostas de preparar para nós.
Saudades. Foi por isso que comecei a escrever esta carta, para te enviar com ela um pouco da necessidade de te ver, de te tocar e de te sentir, enviar-te o amor que me preenche e me corrói por estares longe, enviar-te em cada letra deste texto um desejo enorme de estar ao pé de ti e trocar sorrisos marotos contigo enquanto vemos na televisão um programa repetido.
É frustrante ter que passar tanto tempo sem as corridas no parque da cidade, sem a cantoria em animadas viagens de carro, sem o sorriso incondicionalmente gigante. É revoltante estar longe dos teus mimos e da tua felicidade quando me abraças com a força do mundo que somos um para o outro. É aborrecido não ter serões de séries com pipocas que carinhosamente insistes em preparar e não ter aquelas horinhas de sono contigo que valem por uma noite inteira. Mas aquilo de que mais preciso, mais do que de todos os pequenos pormenores tão especiais e tão nossos, és tu, a tua presença, o teu amor, o teu cheiro, o toque e a tua felicidade que é a minha. Preciso do teu acordar sonolento, preciso da tua energia às duas da manhã e da tua cantoria que anima qualquer dia triste.
Princesa, despeço-me desta carta com um pedido maior do que tudo neste universo: sorri, sê feliz ao leres estas palavras que apaixonadamente te escrevo, pensa em mim com um sorriso nos lábios porque assim, mesmo estando tão longe, serei contagiado por essas feliz felicidade. Amo-te e amarei sempre!

Um beijo especial,
Rui

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Saudades, saudades...



Hoje dei por mim a olhar fixamente para a tua fotografia em cima da estante da sala, aquela que pedimos para fazer quando partiste para, fisicamente, nunca nos esquecermos de ti. Olhava para ela enquanto pensava em ti e da mesma forma que os meus olhos não conseguiam sair da tua imagem também o meu cérebro não conseguia descolar da tua lembrança, da tua memória, não conseguia pensar noutra coisa a não ser em ti e na falta que fazes porque 2 anos e 10 dias depois fazes mais falta do que nunca. Fazes falta ao jantar por não falarmos do teu trabalho e por não fazeres perguntas sobre a escola com um interesse tão genuíno que enche o coração. Fazes falta quando trago a minha namorada cá por não te poder mostrar o quão feliz ela me faz e, sobretudo, o quão feliz eu a faço graças a tudo o que me ensinaste. Fazes falta nas festas com a família por não termos a tua alegria contagiante em todos os momentos e ocasiões. Fazes falta quando chego da universidade e não tenho um interrogatório completo de tudo o que aconteceu naquela semana como sei teria quando chegasses do trabalho, por mais cansativo que este fosse. Fazes falta nesta casa por não haver as reprimendas que nos faziam arrumar, aos poucos, a casa: “Rui Pedro, as sapatilhas.”, “Rita Sofia, a mochila não é para ficar no sofá.”. Fazes falta nas noites de fim-de-semana por não haver lutas com cócegas e almofadas enquanto a televisão transmite programas sem interesse e a lareira enche a sala de luz e calor. Hoje dei por mim a olhar fixamente para a tua fotografia em cima da estante da sala e senti saudades de falar contigo, de contar como foi o meu dia e rir de uma piada que li na internet, senti saudades de cantar contigo a música que passa na rádio enquanto conduzes para qualquer lado, senti saudades de ouvir “Rui Pedro, larga o computador.” e senti saudades do teu sorriso que todos os dias aparecia para iluminar a minha vida, e hoje, estejas onde estiveres, esse sorriso chega até mim, pela fotografia, pelas lembranças, pelas memórias e sorrio também porque, como sempre dizias, era assim que gostavas de me ver.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

No paraíso também há dias de chuva...



Aqui, no paraíso, olho pela janela do meu quarto e a chuva cai nas estradas e nos passeios, rega as plantas e as pessoas que, desprevenidas neste dia tristonho, desfilam em roupa primaveril e espírito desinibido, como deve ser aqui. Estas tempestades chuvosas deviam ser proibidas no paraíso, onde tudo devia correr bem e ser bonito. Afinal, um dia aqui é assim: belo, com um sol ameno que faz sorrir os que o apanham, calmo e com uma leveza atmosférica que faz bem à alma e à vida da gente. Hoje, com esta chuva, está tudo ao contrário, com um sol tímido e gelado, um vento agitado e impaciente e um peso enorme nessa alma e nessa vida desta gente que, apesar de tudo, vive no paraíso. E eu, habitante deste lugar, não gosto nada desta chuva, destas lágrimas do céu que, como choro que é, torna o mundo mais cinzento, mais desanimado e mais entristecido. É incrível o efeito do tempo, da chuva, na gente do paraíso: a tristeza e o desânimo deste choro deixam as pessoas desmotivadas com a vida, sem vontade na conquista de alguma coisa, sem força nem felicidade, com medo de tudo e de qualquer lágrima que caia do céu.
Num olhar mais atento encontro, atrás das nuvens desta chuva, a luz constante do Sol do paraíso, mais cinzenta e ténue mas presente mesmo com a água tão teimosa. Pela janela continuo a ver pessoas: a sair de casa com impermeáveis e guarda-chuvas, a entrarem em cafés e livrarias protegidas, a enfrentarem aquilo que, ainda no parágrafo anterior, descrevi como intolerável para quem aqui mora, e foi assim que, agora, percebi que a chuva não é assim tão má nem tão aterrorizante, traz tristeza mas esta vem acompanhada por sabedoria, e num dia chuvoso com este cabe-me a mim, a nós, encontrar a bonança durante a tempestade porque, mesmo com tantos dias quentes e brilhantes, no paraíso também há dias de chuva.